O primeiro e provavelmente último leilão de rodovias deste ano acontece hoje, com três concorrentes: EcoRodovias, que está em consórcio com a Queiroz Galvão e a Coimex, Galvão Engenharia e Triunfo. A disputa é por 628,8 quilômetros da BR-153, que terá nove praças de pedágio. O trecho vai de Anápolis (GO) à Aliança do Tocantins (TO) e é o último considerado atrativo para leilão de concessão.
Outros trechos que o governo pretende repassar à iniciativa privada devem ter as obras e operações desenvolvidas por parcerias público-privadas (PPP), ou ficarão a cargo da União. É o caso da BR-101, na Bahia, da BR-262 (MG/ES) e da BR -116, em Minas Gerais. Dada a proximidade das eleições, o que impede o governo de assumir compromissos de desebolsos, a decisão sobre esses trechos deve ficar apenas para o ano que vem.
O preço máximo da tarifa para o leilão da BR-153 foi fixado pelo governo em R$ 9,22 para cada 100 quilômetros. Levará a concessão, por um prazo de 30 anos, quem ofertar a menor tarifa. Os envelopes serão abertos às 10 horas, na BM&FBovespa
A previsão da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) é de que sejam investidos R$ 4,31 bilhões, o que inclui duplicação – a ser concluída em até cinco anos -, manutenção, conservação, operação, implantação de melhorias e ampliação de capacidade. E a agência exige que a cobrança do pedágio só tenha início após a conclusão dos trabalhos iniciais no sistema rodoviário e a execução de 10% das obras de duplicação.
Participantes do setor evitam apontar favoritos e comentam que os três concorrentes são equilibrados e têm mostrado interesse em investir na área.
A EcoRodovias já opera outras estradas, como o Sistema Anchieta-Imigrantes, o corredor Ayrton Senna / Carvalho Pinto, e a ligação de Curitiba ao Porto de Paranaguá. Agora, teria oportunidade para expandir seu portfolio com um trecho considerado atrativo, já que não saiu vencedora em nenhum dos leilões anteriores. A Galvão Engenharia não opera rodovias e poderia ter a BR-153 como sua entrada na área. Já para Triunfo, a concessão faria menos sentido, uma vez que a companhia acabou de arrematar, em dezembro, um trecho de 1.176,5 quilômetros nas rodovias BR 060, BR 153 e BR 262.
Como a tarifa máxima definida pelo governo é alta, o leilão de poderá ter deságios expressivos, diz Fernando Marcondes, especialista em infraestrutura do L.O. Baptista-SVMFA, como aconteceu nos certames do ano passado.