
A Petrobras recebeu três propostas não vinculantes para o desinvestimento de Albacora e Albacora Leste. As ofertas foram feitas por grandes consórcios, conforme antecipado pelo PetróleoHoje. Os ativos estão disputados pelos grupos Enauta / 3R Petroleum / Talos Energia / EIG Global Energy Partners – Harbour Energy, PetroRio / Cobra, e Karoon. A companhia australiana entrou sozinha, mas negocia uma parceria com um sócio mantido sob sigilo.
A informação sobre a formação do consórcio Enauta / 3R Petroleum / Talos Energy / EIG-Harbour foi antecipada pela Reuters na quarta-feira (10/2). O PetróleoHoje apurou que Enauta, Talos e EIG-Harbour mantêm, cada um, participação de 30%, ante a fatia minoritária de 10% da 3R.
O processo de desinvestimento de Albacora e Albacora Leste agita o setor e a bolsa de apostas sobre quem irá arrematar o ativo. Embora os valores apresentados nas propostas não-firmes sejam mantidos em sigilo, o consórcio Enauta (operadora) / 3R / Talos Energy/ EIG-Harbour é visto como favorito, diante do porte dos grupos envolvidos no negócio. Mesmo com o holofote voltado ao quarteto de empresas, não é descartada a possibilidade de surpresas com PetroRio / Cobra, grupo espanhol, e a Karoon e seu sócio ainda desconhecido.
O grupo EIG-Harbour traz, sem dúvida, maior robustez ao consórcio. A Habour, braço de Petróleo do EIG, realizou no final do ano passado um merger com a Premier Oil, firmando-se como uma das maiores empresas de petróleo independente da Europa.
Segundo apurado, o EIG-Harbour foi cobiçado por outros proponentes no início do processo. No passado, Ouro Petro, empresa incorporada pela 3R Petroleum, chegou a quase firmar uma parceria com a EIG-Harbour para aquisição do pacote de Pampo-Enchova, mas na última hora o grupo de equity desistiu do negócio.
Além do “flerte” com Pampo-Enchova, grupo EIG disputou o desinvestimento da TAG, mas acabou perdendo o negócio.
Negócio
A entrega das propostas não-vinculantes do pacote de Albacora-Albacora Leste ocorreu na segunda-feira (8/2). A projeção é que o negócio supere a marca de US$ 1 bilhão / US$ 1,5 bilhão, podendo se fixar no patamar de US$ 2 bilhões. Especialistas consultados pelo PetróleoHoje projetam que a a expectativa de valor da Petrobras é mais alta, girando em torno US$ 3 bilhões a US$ 4 bilhões. É provável, no entanto, que esse patamar não será alcançado.
Além do montante que será mobilizado para adquirir o ativo, o consórcio vencedor terá que desembolsar uma quantia mínima de US$ 1 bilhão em investimentos destinados à produção. O projeto irá requerer o afretamento ou aquisição de um novo FPSO para Albacora, com capacidade entre 80 mil barris/dia de óleo e 120 mil barris/dia de óleo. A nova unidade substituirá a semissubmersível P-25 e o FPSO P-31, que operam no campo.
A demanda pela contratação de uma nova unidade é dada como certa, tendo em vista que o projeto está em operação há mais de três décadas. A análise de especialistas e executivos é que apenas o FPSO P-50, instalado em Albacora Leste, será mantido.
O novo FPSO só deverá ser colocado em operação a partir de 2026. O projeto demandará a execução de campanha de perfuração de novos poços e a substituição de algumas linhas.
Atualmente, Albacora e Albacora Leste produzem cerca de 61 mil barris/dia de óleo. A projeção é que os dois campos possam atingir uma produção total de 120 mil barris/dia a 170 mil barris/dia de óleo.
O ativo possui reservatórios de pós-sal e pré-sal. A Petrobras estima que cerca de 1/3 das reservas locais possa ser de pré-sal.
Os dois campos possuem cerca de 1 bilhão de boe. O maior volume está concentrado no campo de Albacora, cuja projeção da petroleira brasileira aponta para 634 milhões de boe.
Dentro do prazo de um mês, no máximo, a Petrobras deverá comunicar aos participantes quem deve seguir no processo, avançando para a fase firme. A data de entrega das propostas vinculantes só deverá ocorrer entre junho e agosto.
A área de E&P da Petrobras estima que o closing da operação seja formalizado apenas em 2022. O teaser de venda de Albacora e Albacora Leste é coordenado pelo ScotiaBank, tendo sido divulgado em setembro de 2020.
O campo de Albacora está sendo vendido integralmente pela Petrobras, enquanto a parcela de Albacora Leste é de 90%, já que os 10% restantes pertencem a Repsol Sinopec.
O campo de Albacora foi descoberto em 1984 e colocado em operação em 1987. Já Albacora Leste foi descoberto dois anos depois, em 1986, entrando em operação apenas em 1998. Juntos, os dois ativos possuem um total de 71 poços, sendo 46 produtores e 15 injetores.
Fonte: Revista Brasil Energia