unitri

Filtrar Por:

< Voltar

Clippings - 29/09/10

Tributação elevada é apontado como maior desafio para o setor de petróleo

Além da carga tributária, empresários afirmam que a qualificação da mão de obra também é uma preocupação para o setor.

A demanda por bens e serviços na indústria do petróleo no Brasil será de cerca de US$ 400 bilhões, até 2020, segundo um estudo feito pela empresa Booz&Company, encomendado pela Organizacao Nacional da Industria do Petroleo (Onip). De acordo com o relatório, a alta taxa de tributação é,para os empresários, o principal empecilho à competitividade do setor. A tributação é considerada um problema para a competitividade para 76% das empresas fornecedoras de óleo e gás.

Os investimentos a serem feitos nos próximos anos não serão exatamente no pré-sal, mas em áreas onde já há extração, nas bacias de Campos e de Santos. A maior parte do petróleo que há na camada mais profunda, o pré-sal,só será explorada após 2020. A complexidade da operação envolverá a contratação de 68 milhões de horas de serviços de engenharia, 2 milhões de toneladas de aço, 6 mil km de cabos de eletricidade e 400 geradores.

A segunda maior preocupação dos empresários com a indústria do petróleo é a capacitação de pessoal. Para 55% das empresas, a falta de mão de obra qualificada é fator estrutural que pode comprometer o andamento dos trabalhos. Estima-se que até 2020 serão necessárias 400 mil pessoas para suprir a demanda de produção do pré-sal. No entanto falta no Brasil mão de obra especializada nos três níveis de especialização: básico, técnico e superior.

O estudo foi apresentado na segunda-feira (27), em um seminário realizado no Instituto Fernand Braudel de Economia Mundial.

A carência de inovação e tecnologia também é outra preocupação. Para 29% dos empresários entrevistados pela Booz&Co, a tecnologia existente no país não é suficiente para atender às demandas na fabricação de ferramentas e suportes necessários para a extração do petróleo, tais como montagem de navios, sondas, estaleiros, instalações submarinas e compressores a gás. Segundo a consultoria, a principal vantagem apresentada pelos competidores estrangeiros é preço e tecnologia. “Se o Brasil não conseguir atender essa demanda nos próximos anos, terá de importar esses serviços, o que diminui a competitividade da indústria nacional”, disse Rodrigo Sousa, da consultoria. Na comparação com países emergentes, a China aparece com entre os países que poderão oferecer melhores condições de fornecimento de equipamentos.

O chefe do departamento de óleo e gás do BNDES, Caio Brito, afirmou que o banco vai fazer o possível para que produtores nacionais tenham condições de oferecer produtos e equipamentos necessários para a exploração do pré sal. “Não vai faltar crédito para as cadeias de fornecimento”, disse.