A OGX informou na sexta-feira que já tem seis poços perfurados e completados no campo de Tubarão Martelo, na bacia de Campos, o que representa o próximo passo da petrolífera de Eike Batista para entrar em produção depois do fiasco de Tubarão Azul. A perfuração e completação dos poços é uma fase importante, além de cara, da fase de desenvolvimento da produção de um campo de petróleo. Tendo os poços já preparados e recobertos com tubulação, a fase seguinte é de lançamento das linhas que precisam ser conectadas à plataforma OSX-3 (já no Brasil) e bombas submarinas que vão permitir produzir o petróleo.
Essa fase envolve também empresas especializadas em ancoragem, barcos de apoio e pessoal. Normalmente, somente um poço entra em produção por vez e por isso é que as companhias demoram a atingir a produção total prevista em uma área após o evento do primeiro óleo.
A plataforma OSX-3 tem capacidade de produzir até 100 mil barris por dia e armazenar 1,3 milhão de barris de óleo. A OGX deixou de fazer previsões sobre volumes de produção e até agora o que se tem é o previsto no acordo com a malaia Petronas, que comprou (e ainda não pagou) 40% da área pagando até US$ 850 milhões.
O acordo prevê US$ US$ 250 milhões mais o desembolso de 40% dos custos de desenvolvimento do campo a partir do dia 1º de maio, assim que a venda fosse aprovada pela Agência Nacional de Petróleo (ANP) e pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica Cade). Outros US$ 500 milhões só serão pagos quando Tubarão Martelo começar a produzir. A partir daí, a OGX receberá US$ 50 milhões quando a produção atingir 40 mil barris por dia. Outros dois pagamentos de US$ 25 milhões estão previstos a partir de uma produção entre 50 mil barris diários e 60 mil barris.
Mas a reestruturação da dívida da companhia veio antes que o Cade aprovasse o negócio. E a Petronas quer esperar para pagar a primeira parcela, o que é um balde de água fria nas expectativas de que o caixa da OGX recebesse uma injeção de dinheiro nesse trimestre. A empresa já está atrasando pagamentos de empresas fornecedoras e com a indicação da Petronas de que vai esperar a reestruturação da dívida o grande desafio é saber durante quanto tempo as companhias de serviços vão aceitar a OGX como cliente sem receber.
O Valor apurou que a OGX está empurrando os pagamentos para depois do início da produção, quando começará a entrar alguma receita. Uma fonte experiente do setor e que conhece a empresa observou que os fornecedores podem conceder mais algum crédito por estarem sem saída. Está todo mundo no mesmo barco, e se alguém parar de remar, todos morrem, disse a fonte, referindo-se a perdas muito maiores em caso de um calote da companhia antes do início da produção de petróleo.
Na sexta-feira a OGX pode ter poupado R$ 20 milhões se não tiver pago o bônus de assinatura referente ao bloco POT-M-475, na bacia Potiguar, um dos quatro que ela informou que reteria em um total de treze que foram arrematados na 11ª Rodada da ANP, dos quais nove foram devolvidos. A petrolífera assinou apenas os contratos relativos aos três blocos que arrematou em parceria, dois deles com a ExxonMobil e outro formando consórcio com a Total e a QGEP. Pelas três áreas a empresa de Eike Batista pagou R$ 76 milhões em bônus de assinatura. Provavelmente, hoje a agência divulgará a lista final das empresas que depositaram bônus na conta do Tesouro Nacional e poderão assinar no dia 17 de setembro os contratos de concessão das áreas.
Há também dúvidas sobre a capacidade de pagamento da Petra Energia. A empresa, sócia da OGX Maranhão e da MPX na bacia do Parnaíba, arrematou 28 blocos e teria que pagar R$ 111,5 milhões em bônus. Segundo fontes, a empresa tentava atrair parceiros para as áreas que adquiriu, algumas sozinha. Presidida por Winston Fritch, ex-secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda no governo FHC, ela é também a segunda colocada em quatro dos nove blocos devolvidos pela OGX.