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Na Mídia - 26/11/18

Uma solução para o agronegócio: o escoamento para o mar. Por Dina Cury e Jessica Antunes

Por Dina Cury e Jessica Antunes – Kincaid | Mendes Vianna Advogados


 

O agronegócio é destaque na economia mundial e, no caso brasileiro, é notório que ele responde por grande parte da economia, atingindo recordes de produção e exportações ano após ano. Em 2017, o agronegócio representou 21,49% (4) da composição do PIB nacional. Em relação às exportações, o agronegócio respondeu por 46,07% (5) do total no mesmo ano e foi responsável pelo superávit econômico. No entanto, se olharmos para os problemas que esta indústria enfrenta, esses números e registros parecem um milagre.

Apesar da ineficiência dos sistemas de transporte e logística, que têm sido prejudicados pela infraestrutura nacional desfavorecida, os números do agronegócio estão quebrando recordes. Obviamente, devido a essas barreiras, as atividades nesse campo tendem a ser muito mais caras e mais lentas do que no exterior. Estima-se, por exemplo, que 26% do custo final de um produto seja aumentado devido ao fluxo irregular que temos no Brasil.

Em consonância com os bilhões que caracterizam o setor de agronegócio, a ESALQ- LOG, Grupo de Pesquisa e Extensão em Logística Agroindustrial, estimou que o custo da logística do agronegócio em 2017 foi superior a R$ 120 bilhões, dos quais R$ 105 bilhões foram gastos em transporte (6) . De acordo com o Boletim Estatístico da Confederação Nacional dos Transportes (2017), os pontos de venda do agronegócio baseiam-se quase exclusivamente no transporte rodoviário, que é conhecido por ser mais caro – especialmente após o estabelecimento do valor mínimo de frete do governo brasileiro. A situação é ainda mais crítica pois, em pesquisa realizada pela Aprosoja/ Agroconsult, identificou-se que Mato Grosso, maior produtor brasileiro de soja que na safra de 2017/2018 produziu 31,887 milhões de toneladas (7) , é o estado com maiores custos de frete.

Assim, uma das soluções e desafios para tornar o agronegócio brasileiro ainda mais bem-sucedido e rentável é aumentar o uso do modal aquaviário para escoar a produção para os principais portos brasileiros a serem exportados.

O Arco Norte é um plano estratégico que inclui portos ou estações de transbordo nos estados de Rondônia, Amazonas, Pará, Amapá e Maranhão, desempenhando um papel fundamental para a saída de grãos de Mato Grosso, por exemplo. Os dados, não surpreendentemente, mostram que, em comparação com 2010, o Arco Norte cresceu 356% até 2017, enquanto outras instalações cresceram juntas em 97%.

O fortalecimento do Arco Norte também interessa às importações e exportações entre o Brasil e a China, grandes consumidores mútuos. Em março passado, a Associação de Produtores de Soja e Milho do Estado do Mato Grosso (Aprosoja) assinou um memorando de entendimento com representantes do Canal do Panamá para discutir maneiras de reduzir a jornada de transporte de carga para a China em até quatro dias, pelo canal.

Portanto, é inegável que, para maximizar a potencialidade do agronegócio brasileiro e continuar a alavancar a economia nacional, deve haver um incentivo no uso do modal aquaviário e na saída pelo Arco Norte, o que, talvez, nos deixe uma inacreditável distância de quatro dias até o outro lado do mundo.

 


 

(4) https://infogram.com/infografico_agronegocio

(5) https://infogram.com/infografico_agronegocio

(6)https://esalqlog.esalq.usp.br/upload/kceditor/files/2017/Serie%20Log%C3%ADstica%20do%20Agroneg%C3%B3cio/IMPACTOS%20%C3%93LEO%20DIESEL%20NA%20LOG%C3%8DSTICA%20AGRO.pdf

(7) https://www.embrapa.br/soja/cultivos/soja1/dados-economicos

 

Fonte: Câmara Brasil China