A Shell investirá até 35% de seu orçamento global em novas energias, o que representa um montante anual de US$ 5 bilhões. Já a partir de 2021, a petroleira irá alocar entre 30% e 35% de seu orçamento no Brasil em P&D para novas energias.
Os indicadores determinam um crescimento expressivo dos investimentos. O grupo vinha reservando nos últimos anos patamares médios de 10%. O plano global da companhia é zerar a emissão líquida de gases de efeito estufa até no máximo 2050.
As novas estratégias foram anunciadas na quarta-feira (2/12) pelo presidente da Shell Brasil, André Araújo, durante o Shell Talks, no painel sobre Agenda Propositiva para o Brasil. Realizado pela petroleira, em paralelo a Rio Oil Gas, o evento foi moderado por Clarissa Lins, presidente do IBP, contando com a participação de André Clark, gerente geral da Siemens Brasil, e Sergio Rial, presidente executivo do Santander.
Os palestrantes foram enfáticos na defesa pelo estabelecimento urgente de um mecanismo de precificação de carbono. A criação do mercado, na avaliação dos executivos da Shell, Siemens e Santander, abriria uma enorme oportunidade para Brasil, com potencial para financiamento de diversos de projetos.
“A economia de baixo carbono tem oportunidades reais de negócios e geração de emprego e renda. Se o Brasil fizer o dever de casa, vai sair na frente de todo mundo”, aposta o presidente da Shell.
André Araújo defendeu a implantação de um mecanismo de precificação híbrido, parte regulado e parte voluntariado. Já André Clark, executivo da Siemens, defende a regulamentação. Independente do formato, o presidente executivo do Santander enxerga o Brasil como o “maior depositário de capacidade de instrumentalizar a neutralização de carbono no planeta”.
Apesar do reconhecer o potencial de transformação e o bom posicionamento da matriz energética brasileira em relação a renováveis, o presidente da Shell reforçou que a batalha contra as emissões no Brasil está longe de ser ganha. Araújo chamou atenção para o fato de o Brasil ser, atualmente, o sétimo maior país emissor de gases de efeito estufa no mundo, tendo 2/3 disso atribuídos ao uso da terra e ao desmatamento.
Já André Clark, executivo da Siemens, alertou para a proximidade da COP 26 e a necessidade de o Brasil se preparar para isso. Na sua avaliação, o país tem capacidade para se posicionar, futuramente, como grande produtor mundial de hidrogênio verde ou azul.
O executivo da Siemens defende que o Brasil precisa ser soberano nas suas decisões e acreditar na capacidade científica.
“Toda essa lindíssima pujança do pré-sal, do agronegócio, do biocombustível do etanol de segunda geração, da hidroeletricidade, foi criada com investimento em ciência e tecnologia e profunda soberania. Se o Brasil conquista de fato a sua soberania não tem para ninguém, a década será de muita riqueza e desenvolvimento”, sentencia o executivo da Siemens
Clark chamou atenção também para o que considera a importância e a emergência do pré-sal.
“O pré-sal brasileiro é o segundo petróleo menos carbonizado do planeta. O Brasil está muito bem posicionado nessa direção”, ressaltou o executivo da Siemens.
Sergio Rial, presidente executivo do Santander, foi veemente ao defender a necessidade de mudanças.
“Os consumidores precisam de serviços financeiros, mas não necessariamente de bancos. O planeta precisa de uma matriz energética, mas não necessariamente de petroleiras. Independente da indústria, tudo está mudando. (…) Demonizar o petróleo é uma grande bobagem, pensar que isso não se transforma é uma bobagem ainda maior”, declarou Rial.
Fonte: Revista Brasil Energia