Outra parte da VLI está sendo negociada com canadense Brookfíeld
O presidente da Vale, Murilo Ferreira, anunciou ontem que a VLI, subsidiária de logística da Vale, acertou a venda de 35,9% da empresa para a japonesa Mitsui (20%) e para o Fundo de Investimento do FGTS (15,9%), administrado pela Caixa Econômica Federal. O negócio foi acertado por R$ 2,7 bilhões. O executivo informou ainda que negocia com exclusividade com um consórcio liderado pela canadense Brookfíeld outros cerca de 26% da companhia.
Dos R$ 2,7 bilhões, R$ 2 bilhões irão para o caixa da VLI para financiar seu plano de investimentos, de R$ 9 bilhões em cinco anos. Os R$ 700 milhões restantes ficam com a Vale. Se o negócio com a Brook-field for à frente, a Vale terá menos de 40% da VLI ao fim da transação.
O negócio foi informado por Ferreira à presidente Dilma Rousseff em audiência ontem no Palácio do Planalto. A notícia de vultosos investimentos
no setor de infraestrutura vem num momento em que o governo enfrenta a falta de apetite dos empresários nos leilões de rodovias.
Relatei tudo para a presidenta Dilma, Ela ficou extremamente feliz e entusiasmada. É uma sinalização inequívoca do que se tem de oportunidades no Brasil no segmento de infra-estrutura — afirmou Ferreira.
Segundo a Vale, os valores dos acordos firmados ainda estão sujeitos a ajustes entre as partes. A venda da empresa também depende de autorização de autoridades regulatórias.
ABERTURA DE CAPITAL EM 3 ANOS
A VLI é a empresa da Vale que presta serviços de logística para terceiros no transporte de carga geral (principalmente grãos). A decisão de vender uma fatia da empresa atende à estratégia da Vale de se desfazer de ativos que não considera core; ou seja, que não são prioritários para seu negócio. Foi a forma que a companhia encontrou para cortar custos e aumentar a poupança, para investir no bilionário projeto de minério de ferro S11D, no Paparte destes recursos será investida no centro de dados da empresa; que funciona no Rio. Nele estão guardados os principais dados e aplicações da companhia, o conhecimento explícito da empresa disse a presidente da Petrobras, Graça Foster, que participou ontem de audiência no Senado. As informações críticas são armazenadas com criptografia.
Graça disse desconhecer se a Petrobras foi vítima de espionagem pela National Security Agency (NSA) americana, como noticiou o Fantástico da TV Globo. Segundo a presidente da Petrobras, há um desconforto pelo fato de o nome da empresa ter aparecido nas denúncias.
— A questão de aparecer a Petrobras cria um embaraço j muito grande. O eventual acesso a dados, apesar de indesejável, não implica a detenção da tecnologia. São necessários muitos e muitos acessos permanentes e sistemáticos para ter todo o conhecimento das atividades off-shore.
Para entrar no centro de dados da Petrobras, informou, as pessoas têm que se identificar por meio de biometria e é feita pesa-gem. Todo o tempo, os funcio-! nários são monitorados por câmeras. Ela contou ainda que os dados da área de exploração e produção de petróleo são enviados para a Agência Nacional do Petróleo (ANP) em DVDs e CDs.
Os circuitos integrados da Pe-trobras são alugados da Oi e de outras concessionárias públicas de telecomunicações americanas, italianas, espanholas, francesas e mexicanas. E três empresas americanas, entre elas a Cisco, fornecem soluções de criptografia. Graça explicou que os fornecedores estrangeiros não conhecem o que a Petrobras faz, porque toda a governança e gerência do centro de dados é da própria companhia.
O reajuste de combustíveis no curto prazo foi descartado pela presidente da Petrobras.
— Trabalhamos sistematicamente na busca da economici-dade da companhia, que nos faça poder ser cada vez mais ativos no negócio. Agora repito o que disse ontem na Bolsa: não há, no curto prazo, previsão de aumento no preço.
Sobre a possibilidade de adiamento do leilão do campo de libra, ela não falou diretamente, mas sugeriu que é contra.
— É desejo do governo que haja o leilão, a Petrobras não tem nenhum poder. Libra não é uma descoberta comum, não é qualquer coisa — disse. (O Globo)