Divulgação Vale
Empresa afirma estar engajada em ciclos de inovação e que valoriza etapa de seleção e viabilidade de pesquisas. Metas de redução de emissões até 2050 demandam forte desenvolvimento tecnológico e investimentos de produtores de combustíveis, fornecedores de equipamentos, armadores e afretadores
A Vale projeta que as metas agressivas de descarbonização no transporte marítimo global vão demandar forte organização das empresas para desenvolvimento de novos projetos e desembolsos para pesquisa. O coordenador do programa de desenvolvimento da futura geração de navios mineraleiros afretados pela Vale, Paulo Paixão, identifica a necessidade de uma abordagem mais específica para armadores e afretadores, de acordo com perfil operacional da frota e dos navios, a fim de construir cases para subsidiar a adoção de novas tecnologias e combustíveis alternativos.
Ele considera importante que as empresas tenham pipelines fluidos, passando por todas etapas com premissas técnicas e econômicas validadas para fase de piloto e primeiros testes, conseguindo avançar com a avaliação de performance do navio e das tecnologias. “Alguns projetos não se mostrarão tecnicamente viáveis. Importante não faltar esforço e recursos em tecnologias que tragam o retorno esperado e justifiquem investimento das empresas”, disse o engenheiro, na última quinta-feira (6), durante o Workshop sobre Descarbonização na Indústria Naval promovido pela Sociedade Brasileira de Engenharia Naval (Sobena).
A avaliação é que as regulamentações ambientais cada dia mais rigorosas representam grande desafio para a indústria marítima desenvolverem soluções e avançarem no processo de transição energética. As metas de redução de emissões até 2050 demandam forte desenvolvimento tecnológico e investimento em novas tecnologias, com desafios técnicos para produtores de combustíveis, fornecedores de equipamentos, armadores e afretadores.
Paixão disse que a Vale está engajada em ciclos de inovação, se conectando com startups para avaliação técnica e econômica de algumas soluções. O engenheiro vê o conceito de ‘inovação aberta’ se tornando uma nova fonte de acesso a soluções tecnológicas. Ele explicou que a avaliação inicial de tecnologias ajuda a filtrar ideias mais adequadas ao tipo de navio e ao perfil operacional da frota. “É importante ter um ranqueamento da tecnologia para direcionar recursos e esforços de maneira mais eficiente”, avaliou.
Outra aposta da companhia são ‘Join Industry projects’ — plataformas de cooperação entre empresas com objetivos comuns, que dividem custos entre participantes, compartilham experiências entre os parceiros e ganham vantagens competitivas com o pioneirismo e, em alguns casos, o acesso privilegiado a novas tecnologias por determinados períodos. Um projeto neste conceito, citou Paixão, foi a instalação de velas rotativas em navios. Segundo o engenheiro, a propulsão auxiliar com vento trouxe aprendizados com relação ao desenvolvimento de metodologia para medição de ganhos.
A Vale afirma que trabalha numa estratégia de flexibilidade e que acompanha estudos sobre o desenvolvimento do conceito da praça de máquinas que possa receber as tecnologias do futuro, levantando aspectos como segurança e requisitos de classe para melhor harmonização da praça de máquinas e com flexibilidade na utilização de combustíveis para lidar com as incertezas a respeito de opções tecnologia, custo de equipamentos, disponibilidade e custo de combustíveis.
Paixão contou que a Vale optou por ter um espaço reservado entre a praça de máquinas e os porões de carga e que estuda um tanque ‘multi-fuel’ para conciliar o gás natural liquefeito (GNL) com outros dois combustíveis — amônia e metanol. Ele destacou que a escolha destes insumos entre outras opções disponíveis teve como base as análises iniciais de avaliação tecnológica e ranqueamento de soluções para direcionar esforços. Em agosto, a DNV aprovou o sistema tanque multicombustível. A fase posterior será de detalhamento de aspectos construtivos.
Fonte: Revista Portos e Navios
