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Clippings - 28/04/14

Vale avalia que ainda tem chance em Simandou

A decisão do governo da Guiné de revogar os direitos minerários detidos por uma sociedade na qual a Vale detém 51% não tira a mineradora brasileira do jogo naquele país da costa ocidental da África, onde estão um dos maiores depósitos inexplorados de minério de ferro do mundo.

Em comunicado divulgado na sexta-feira, a mineradora brasileira informou que o comitê técnico, que analisou o caso da concessão de Simandou e Zogota, não sugeriu ao governo nenhuma proibição para a companhia participar de qualquer processo de realocação desses direitos minerários.

A cassação afetou diretamente a VBG, a sociedade na qual a Vale participa, e seu sócio, a BSGR Resources, pertencente ao empresário israelense Beny Steinmetz.

Como informou a própria Vale em nota, a empresa está considerando os direitos legais e opções que tem na Guiné. No fim de março, o Valor publicou reportagem, com base em relatório enviado pela Vale para a comissão de valores mobiliários americana, a SEC, no qual a empresa admitiu, pela primeira vez oficialmente, a possibilidade de amargar a perda dos US$ 507 milhões aplicados na compra dos direitos minerários da jazida de minério de ferro de Simandou.

Na ocasião, a reportagem chamou a atenção para o fato de que já haviam circulado no mercado informações segundo as quais a BSGR poderia ser excluída unilateralmente do projeto. Nesse caso, a Vale poderia permanecer em Simandou. Mas não se podia descartar, já no fim de março, também a cassação dos direitos minerários da VBG como um todo, incluindo a parte da Vale, que foi o que terminou ocorrendo.

A questão agora é saber como poderá se dar a transferência da concessão para uma terceira empresa, cenário em que a própria Vale pode surgir como candidata.

Há no mercado, porém, quem duvide do apetite da Vale para investir em Simandou – cuja infraestrutura precisa ser toda construída – neste momento em que a empresa está envolvida, no Pará, no maior projeto da história da companhia, o S11D.

O S11D vai exigir investimentos totais de US$ 19,6 bilhões, incluindo a parte de logística, para produzir 90 milhões de toneladas adicionais de minério de ferro por ano, de forma gradativa, a partir do segundo semestre de 2016, quando o projeto está previsto para entrar em operação.

Procurada, a Vale informou que não faria comentários além dos já divulgados no comunicado.