A Vale quebrou recorde histórico de produção de minério de ferro para um segundo trimestre. De abril a junho deste ano, a empresa produziu 79,4 milhões de toneladas, 12,6% acima das 70,5 milhões de toneladas do mesmo perãodo de 2013. O melhor resultado anterior havia sido no segundo trimestre de 2012, com 77,8 milhões de toneladas. O desempenho superou as expectativas. E confirmou visão segundo a qual, depois de um longo perãodo de incertezas, a empresa vem conseguindo entregar resultados, o que aumenta a confiança da própria Vale e do mercado em relação ao cumprimento das metas de produção.
Ontem, a ação preferencial da companhia subiu 1,43% e, no mês, a alta chega a 9,87%, embora no ano ainda acumule perda de 8,82%. O bom desempenho operacional foi motivado por melhores condições climáticas e pelo crescimento da produção na Planta 2 de beneficiamento de Carajás, no Pará, e pela operação da unidade de Conceição Itabiritos, em Minas Gerais. Só a produção de minério de ferro de Carajás atingiu 29,3 milhões de toneladas, também recorde para um segundo trimestre. Em apresentação para investidores, em maio, o presidente da Vale, Murilo Ferreira, previu que a Planta 2 de Carajás vai operar com 50% de utilização em 2014. Essa unidade está associada ao projeto de adicionar 40 milhões de toneladas anuais em Carajás. Conceição Itabiritos tem capacidade de 12 milhões de toneladas por ano.
O aumento da produção de minério de ferro no trimestre mostra que, aos poucos, a Vale vai cumprindo o que tem prometido em termos operacionais, dizem analistas. Mas ressaltam que esse é um caminho que ainda tem etapas. No semestre, a produção de minério de ferro da Vale atingiu 150,5 milhões de toneladas, com alta de 11,1% sobre igual perãodo de 2013. Os números reforçam a confiança da empresa de atingir a meta de produzir 312 milhões de toneladas e de vender 321 milhões de toneladas este ano. Para 2018, a previsão da Vale é atingir 453 milhões de toneladas, entre produção própria e compra de terceiros.
Mas apesar do recorde na produção, a previsão de analistas é de que os resultados financeiros da companhia, a serem divulgados no dia 31, sofram o impacto negativo da redução nos preços do minério de ferro no ano. O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) no segundo trimestre deve ficar em US$ 3,8 bilhões, na média de sete bancos e corretoras ouvidos pelo Valor. O número, se confirmado, pode representar queda de 30% na comparação com igual perãodo de 2013, quando a empresa registrou Ebitda ajustado de US$ 4,95 bilhões.
É possível, no entanto, que se a companhia tiver conseguido vender grande parte do minério de ferro que produziu as vendas superem previsões feitas por analistas. A corretora Itaú BBA previu vendas de 78 milhões de toneladas de minério de ferro para a Vale no segundo trimestre de 2014. O analista Pedro Galdi, da Corretora SLW, disse que o volume de produção de minério de ferro da Vale no trimestre surpreendeu considerando a situação de queda nos preços da commodity em um cenário de dúvidas em relação à recuperação da economia chinesa, principal consumidor mundial da commodity. “Com isto, acreditamos que os volumes vendidos [pela Vale no segundo trimestre] venham acima do esperado pelos agentes do mercado e assim deve se compensar, em parte, o preço médio mais baixo praticado no perãodo e ajudar o faturamento da empresa.”
O Grupo Bursátil Mexicano (GBM) também considerou a produção de minério de ferro do segundo trimestre surpreendente. O resultado superou as estimativas de produção de minério de ferro feitas pelo banco. Nos metais, a produção de níquel, commodity cujos preços estão em alta no mercado internacional, atingiu 61,7 mil toneladas no segundo trimestre, com queda de 5,3% em relação à produção do mesmo perãodo do ano passado. Mas o mercado entende que essa queda é temporária e se relacionou, conforme a própria empresa indicou no relatório, à manutenção na unidade de Sudbury, no Canadá, e a problemas de vazamento, já superados, na unidade de Nova Caledônia, a VNC.