Cerca de 48 horas depois do acidente da Samarco, a Vale realizou, no fim de semana, uma verificação detalhada das condições estruturais das 115 barragens próprias mais relevantes da empresa em Minas Gerais. Nesse trabalho de inspeção emergencial, atuaram 18 profissionais de geotecnia da mineradora, além de equipes em escritórios. Hoje os presidentes da Vale, Murilo Ferreira, e da BHP Billiton, Andrew Mackenzie, vão visitar Mariana (MG), onde as duas barragens da Samarco se romperam, e falarão sobre o caso. Vale e BHP são sócias na Samarco.
“A Vale reforça que, além de aplicar as melhores práticas pertinentes à manutenção de suas barragens, suas estruturas são auditadas por consultorias externas especializadas. Toda a legislação aplicável é observada e rigorosamente cumprida”, disse a Vale em nota divulgada ontem na qual fez um balanço das ações realizadas na região de Mariana. “Nestes cinco dias, a empresa disponibilizou recursos humanos e materiais para auxiliar a Samarco nos trabalhos de resgate e remoção dos locais de riscos dos desabrigados pelo acidente.” Cerca de loo empregados da Vale estão envolvidos nas ações.
Também hoje a presidente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Marilene Ramos, estará em Mariana fazendo um sobrevoo. Ela se reunirá com a equipe de emergências ambientais do Ibama em Minas Gerais que acompanha o caso. Com o acidente, estima-se o lançamento de 5o milhões de metros cúbicos de rejeito de mineração, composto por óxido de ferro e sílica (areia). A lama atingiu comunidades e avança sobre o rio Doce. O presidente da Agência Nacional de Águas (ANA), Vicente Andreu, viajou ontem para Minas Gerais e até sexta-feira estará no Espírito Santo, onde os rejeitos da Samarco vão chegar.
O mercado entende que tanto a mineradora brasileira como sua sócia, a BHP Billiton, falharam ao reagir ao acidente. “A reação foi atribuir o problema à Samarco. Mas talvez a melhor maneira de lidar com o assunto seria usar a força institucional de Vale e de BHP que são as sócias da empresa. O discurso seria: a Samarco é uma empresa da Vale e da BHP, temos uma história e uma vida pela frente e estamos aqui para enfrentar essa questão”, avalia Adeodato Netto, sócio da casa de análise independente Eleven Financial.