Dados do Ministério do Desenvolvimento Indústria e Comércio Exterior divulgados ontem mostram que as exportações do Rio Grande do Norte atingiram US$ 100,96 milhões (R$ 179,40 milhões) entre janeiro e abril deste ano. O valor representou um crescimento de 14,95% sobre o mesmo perãodo de 2009 e o primeiro resultado positivo em 2010. “O desempenho não foi excepcional, mas foi importante por recolocar o estado em ritmo de expansão”, diz o coordenador de Desenvolvimento Comercial da Secretaria Estadual de Desenvolvimento Econômico e professor na área de Comércio Exterior, Otomar Lopes Cardoso Junior, prevendo continuidade para a curva de crescimento.
Segundo ele, o mercado externo voltou importar com mais fôlego as mercadorias brasileiras de maneira geral. Mas não há um fator específico contribuindo para isso. “O contexto global passou a ser mais favorável”, explica.
No Rio Grande do Norte, entre os 20 principais produtos exportados, dez encerraram o quadrimestre com crescimento. O carro-chefe das vendas foi, no entanto, o açúcar, produzido a partir de matérias-primas como cana e beterraba. As vendas do produto ultrapassaram a marca de US$ 21,6 milhões, com expansão de nada menos que 276,22% sobre igual perãodo do ano passado e tendo como país de destino a Venezuela, de acordo com Lopes. Produtos como castanha, banana e granito também ajudaram a puxar as exportações para cima, em dólar.
Em volume, na contramão disso, houve queda de 48,35%, de 578,7 milhões de quilos para 298,87 milhões de quilos. Uma das razões da retração foi o sal marinho, cujo volume exportado caiu de 498,71 milhões de quilos para 186,85 milhões de quilos, de janeiro a abril. A reportagem procurou o Sindicato que representa a indústria salineira do estado para saber o que provocou a desaceleração, mas os porta-vozes não estavam disponíveis, na tarde de ontem, para conceder entrevista. As vendas do produto também recuaram em dólar, com queda de 57,82% e vendas somadas de US$ 3,91 milhões.
Apesar de positivo, o crescimento das exportações do RN, em dólar, ficou abaixo dos atingidos no Nordeste (57%) e no Brasil (25%), de acordo com os números do Ministério. Não foram divulgados dados por estado relativos apenas ao mês de abril. Nacionalmente, no quarto mês do ano, porém, as exportações somaram US$ 15,161 bilhões e as importações US$ 13,878 bilhões. Com isso, o superávit (diferença entre o valor exportado e importado) do perãodo ficou em US$ 1,283 bilhão e a corrente de comércio (soma das duas operações) em US$ 29,039 bilhões. O Sudeste foi que mais exportou no perãodo (US$ 8,107 bilhões). Em segundo ficou o Sul (exportações de US$ 3,280 bilhões), seguida por Centro-Oeste (US$ 1,558 bilhão), Nordeste (US$ 1,272 bilhão) e Norte (US$ 736 milhões).
Acordo com UE pode elevar venda de frutas
As exportações de banana, que fecharam o primeiro quadrimestre com o quarto melhor desempenho no RN este ano, poderão aquecer ainda mais, caso o Mercosul e a União Europeia fechem um acordo de livre comércio suspenso em 2004 e que voltou a ser negociado esta semana. O acordo poderá abrir caminho a exportação de cotas da fruta brasileira livres de tarifa de importação. A tarifa chega atualmente a 176 Euros por tonelada e reduz a competitividade do produto, diz o gerente jurídico e de Relações Institucionais da Del Monte Fresh Fruit, maior produtora de banana para exportação no Brasil, Newton Assunção. Segundo ele, a empresa, que detém 70% do mercado, poderá quadruplicar o volume produzido, caso a negociação seja favorável.
Atualmente, a Del Monte tem 1 mil hectares para o cultivo da fruta no município de Ipanguaçu, no Rio Grande do Norte e 255 hectares no Ceará. A produção chega a 3,2 milhões de caixas por ano, das quais 2,5 milhões são produzidas no RN. “No momento em que o acordo for fechado vamos anunciar investimentos”, frisa o executivo.
Ele acrescenta que ainda não foi definido o valor nem como esse investimento seria distribuído entre os dois estados. O Mercosul, de acordo com ele, está pedindo a União Europeia que libere o ingresso de 250 mil toneladas de banana no bloco sem a barreira tarifária. Na Del Monte, os planos, especificamente para essa fruta, são só de crescimento em 2010.
A empresa decidiu, no entanto, não plantar melão este ano. A produção era feita exclusivamente no Ceará e será interrompida devido ao enfraquecimento do dólar e a questões de mercado que envolvem queda de preços e de consumo nos países importadores. Em 2007, a Del Monte foi uma das empresas prejudicadas pelas cheias no Vale do Açu. Devido a isso, sua produção foi reduzida no RN.