A mais promissora província petrolífera offshore do Brasil, a Bacia de Santos, tem 400 vezes o número de vazamentos de óleo que a sua vizinha mais velha e mais prolífica, a Bacia de Campos, um estudo universitário brasileiro diz , aumentando a preocupação com a sustentabilidade ambiental de nova riqueza petrolífera do país.
A Bacia de Santos, ao sul do Rio de Janeiro provavelmente contém mais de 30 bilhões de barris de petróleo recuperável, o suficiente para suprir todas as necessidades de petróleo dos Estados Unidos por mais de quatro anos.
Na maior parte do óleo vem dos chamados reservatórios da bacia “do pré-sal”, que possuem óleo preso debaixo de até 7 km (4,3 milhas) do mar e fundo do mar por uma camada antiga de sal.
Esses campos, anunciados em 2007, são o foco da empresa petrolífera liderada pela Petrobras, com seus 221.000 milhões de dólares de plano de investimentos de cinco anos e que são vistos como uma chave para o financiamento das políticas de saúde e educação da presidente do Brasil, Dilma Rousseff.
O petróleo em Santos, no entanto, é um das mais difíceis descobertos ou produzidos em qualquer lugar. Nova pesquisa inédita da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), dada exclusivamente para a Reuters, pergunta se a alta taxa de vazamento pode ser um resultado de dificuldades tecnológicas na Bacia de Santos.
“Mais audaciosa a exploração, maior o risco de acidentes perigosos e mais difícil é controlá-los”, disse David Man Wai Zee, professor de oceanografia da UERJ que conduziu o estudo.
O estudo não especifica quais as empresas que trabalham na Bacia de Santos e que foram responsáveis por derramamentos ou qual dos vazamentos eram especificamente de poços do pré-sal. Cerca de 75 por cento da produção da Bacia de Santos em maio veio de poços do pré-sal em águas profundas.
A análise, feita em conjunto com a agência de proteção ambiental do Brasil IBAMA, descobriu que, na Bacia de Santos, entre 2008 e 2012, um litro de óleo vazou para o oceano para cada 33.300 litros de óleo produzido.
É usual para áreas com mais exploração ter um maior número maior de vazamentos de óleo, mas UERJ diz que o número de Santos é extraordinariamente alto.
A média nacional brasileira no perãodo foi de um litro de óleo que vazou para cada 349.600 litros de produção, ou mais de 10 vezes menor que o de Santos.
Na Bacia de Campos, responsável por cerca de 80 por cento da produção de petróleo do Brasil, a taxa de vazamento foi uma pequena fração do que a média nacional em um litro por 13,6 milhões de litros de óleo.
Dados do IBAMA incluiem quaisquer vazamentos de óleo prejudiciais ao meio ambiente, tais como petróleo bruto, fluidos de perfuração, combustíveis e água + óleo contaminado da indústria de petróleo inteira.
O fator de vazamento de Santos também foi maior do que nos Estados Unidos, onde um litro de óleo vazou para cada 50.000 litros de óleo entre 1999 e 2009, de acordo com dados do American Petroleum Institute (API). Os dados do API incluiem a produção onshore e offshore, bem como derramamentos relacionados com as importações. (Os diferentes dados mencionados não refrem-se, exatamente, às mesmas fontes de vazamento)
A Petrobras, que produz cerca de 85 por cento do petróleo do Brasil e a maior parte do petróleo do pré-sal, disse que rejeitou a afirmação de que Santos tinha mais vazamentos de óleo do que outras formações.
“A afirmação de que a empresa tem mais vazamentos da região do pré-sal do que outras áreas de exploração é absolutamente infundada”, disse a Petrobras.
“Em 2014, por exemplo, não houve um único vazamento de petróleo na Bacia de Santos, onde a maior parte da atividade pré-sal está ocorrendo”, a empresa acrescentou.
Oil leaks raise environmental concerns over Brazil’s Santos Basin – study