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Clippings - 27/09/13

Vendas de ativos da Vale neste ano superam 2012

Para garantir caixa com o objetivo de tocar projetos prioritários, principalmente na área de minério de ferro, a Vale soma US$ 3,12 bilhões com a venda de ativos fora de seu núcleo de negócios em 2013. Os desinvestimentos da terceira maior mineradora do mundo são praticamente o dobro do registrado em 2012.

No ano passado, a companhia arrecadou US$ 1,47 bilhão com seis transações de venda. A Vale negociou ativos de caulim no Brasil por US$ 30 milhões, minas de carvão térmico na Colômbia por US$ 407 milhões, ativos de ferro-liga na Europa por US$ 160 milhões, navios por US$ 600 milhões, concessões de óleo e gás por US$ 40 milhões e um projeto de fertilizantes por US$ 234 milhões.

No acumulado de 2013, a empresa realizou apenas dois desinvestimentos, mas com valores mais robustos em relação aos negócios fechados no ano passado.

Em fevereiro, a mineradora canadense Silver Wheaton comprou a produção de ouro da mina do Salobo (PA) e das minas de níquel do Sudbury (Canadá) da Vale por US$ 1,9 bilhão.

Neste mês, a japonesa Mitsui e o Fundo de Investimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FI-FGTS) adquiriram uma fatia de 35,9% na Valor da Logística Integrada (VLI), empresa de transporte de carga geral, por R$ 2,7 bilhões.

O presidente da mineradora, Murilo Ferreira, disse na terça-feira, no 15º Congresso Brasileiro de Mineração, que pretende continuar a venda de ativos neste ano. Entre os possíveis alvos, ele citou a participação de 40% na Mineração Rio do Norte (MRN), de bauxita, e as ações da companhia na Norsk Hydro, de alumínio.

Ferreira disse também que existem ativos na área de óleo e gás dos quais a empresa pode se desfazer. E ainda tem coisas para fazer, incluindo uma surpresa, que não vou dizer qual, acrescentou o presidente da Vale.

A intenção de deixar o negócio da MRN, vender as ações da Norsk Hydro e reduzir a exposição a energia fóssil é há tempos sabida pelo mercado. Qualquer notícia de venda favorece a empresa, mas já é uma variável conhecida, diz o analista Marcelo Torto, da Ativa Corretora.

O que faz a diferença na conclusão das operações de desinvestimento, segundo especialistas, é o fato de a gestão mostrar que cumpre o prometido. A bem-sucedida venda [da VLI] é mais um ponto positivo para a gestão, que continua a entregar e construir sua reputação, escreveu o J.P. Morgan em relatório recente.

O Goldman Sachs ressalta que a venda de ativos pode liberar valor para investidores e o Bank of America Merrill Lynch (BofA) lembra que a mineradora ganha ao minimizar investimentos futuros nos projetos vendidos.

A venda de ativos estará incorporada ao balanço do terceiro trimestre. Com o negócio da VLI, apenas R$ 700 milhões vão para o caixa da Vale, mas R$ 2 bilhões serão destinados a um aporte de capital. Ao retirar a despesa de capital futura, a empresa ganha mais fôlego para focar em ativos estratégicos, diz o analista da Ativa Corretora.

A Vale estabeleceu como sua prioridade os segmentos de minério de ferro, carvão, níquel, cobre e fertilizantes. No foco de atenção da companhia nos próximos anos estão, especialmente, o projeto de minério de ferro S11D, em Carajás (PA), com investimentos de US$ 19,5 bilhões, além do negócio de carvão de Moatize, em Moçambique, com orçamento de US$ 6,5 bilhões.

Diante da expectativa de queda do preço do minério de ferro até o fim do ano, a empresa adota também uma estrutura mais enxuta, com programas de corte de custos. O caso mais simbólico foi a suspensão do projeto de potássio na Argentina, em março, após o valor saltar para US$ 11 bilhões, quase o dobro do previsto inicialmente, devido à inflação e às mudanças no câmbio do país vizinho.

Ainda na estratégia de trocar crescimento por eficiência, a Vale anunciou investimentos de US$ 16,3 bilhões para 2013, um freio em relação ao aporte da ordem de US$ 21 bilhões previsto para 2012, e que acabou revisado para US$ 17,5 bilhões.