A falta de divisas e a centralização cambial na Venezuela empilharam de US$ 8 bilhões a US$ 9 bilhões de importações não pagas pelo país, das quais US$ 1,5 bilhão a exportadoras brasileiras. O comércio entre empresas dos dois países está praticamente parado e as transações com o governo do presidente Nicolás Maduro só são feitas com pagamento antecipado.
Fontes consultadas pelo Valor indicam que esse problema vem se agravando desde o ano passado, quando houve um boom de importações nos meses que antecederam a eleição presidencial de 7 de outubro, vencida pelo então presidente Hugo Chávez, morto em 5 de março. Em 2012, as importações totais venezuelanas somaram US$ 65,3 bilhões, ante US$ 51,4 bilhões em 2011, o que ajudou a aliviar pressões inflacionárias e problemas de escassez de produtos no ano eleitoral.
Na Venezuela, onde o câmbio é controlado, a forma mais barata de o importador conseguir dólares é por meio do Cadivi. Esse órgão governamental de administração de divisas vende o dólar à taxa oficial de 6,30 bolívares, enquanto no mercado paralelo a moeda americana vale mais de 20 bolívares. Empresários locais se queixam, porém, que o órgão não tem entregado as divisas aos importadores no prazo prometido. Por isso, eles não honram seus compromissos com os fornecedores estrangeiros, o que contribui para agravar a escassez de produtos nos supermercados venezuelanos – o país importa 70% dos alimentos que consome.
Os atrasos esfriaram as vendas para lá, diz Francisco Turra, presidente da Ubabef, entidade que reúne produtores e exportadores de aves do Brasil. As vendas do setor caíram 43% em 2012 e mais 11% no primeiro trimestre deste ano. Outras áreas, como pneus para ônibus e tratores e autopeças, também registram quedas significativas, de 66% e 47%, respectivamente.