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Clippings - 28/05/14

Veto da Indonésia à bauxita deve impulsionar alumínio

A proibição imposta pelo governo da Indonésia à exportação de minérios já levou à estratosfera o preço de um metal de uso industrial. O níquel, usado na produção de aço inoxidável, subiu mais de 40% desde o início do ano. Agora, alguns operadores avaliam as perspectivas de que o preço de outro metal também venha a ser afetado pela proibição, o alumínio.

Entre 2007 e 2013, segundo a empresa de consultoria CRU, a Indonésia foi responsável por 60% das exportações mundiais da matéria-prima bauxita.

Em 2013, a China, maior produtor e consumidor de alumínio do mundo, obteve quase 70% de sua bauxita da Indonésia. Neste ano, no entanto, praticamente não recebeu nada. A bauxita é refinada em alumina, um pó branco, que, então, é transformado via eletrólise em alumínio, usado desde em latarias de carros até em latas de bebidas.

“Da mesma forma que com o níquel, não há fornecedor alternativo de bauxita em escala e qualidade suficientes para substituir o material da Indonésia”, diz um operador de metais, que trabalha na Ásia. “Acho que o alumínio parece ser uma aposta interessante [de alta]”.

Até agora, a proibição ainda não afetou o preço do alumínio, que tem permanecido em torno dos US$ 1,8 mil por tonelada, nos contratos para entrega em três meses na Bolsa de Metais de Londres, praticamente estável no ano.

Há muitos motivos para isso. O primeiro é que os produtores chineses já estavam preparados para a mudança na Indonésia. Em 2013, as importações chinesas de bauxita subiram quase 80% e os estoques cresceram a um nível suficiente para 12 a 18 meses de consumo, segundo estimativas de analistas. Empresas na China também começaram a diversificar a oferta, comprando materiais mais caros na Austrália e Índia, por exemplo.

Além disso, ainda há grandes estoques de alumínio, estimados em pelo menos 10 milhões de toneladas, o equivalente a mais de dois meses do consumo mundial, embora grande parte disso não esteja disponível de imediato, porque há longas filas nos maiores depósitos.

Há sinais, no entanto, de que a proibição da Indonésia, cuja ideia é estimular a indústria local, vem tendo impacto nos produtos chineses. O custo de levar bauxita a um porto chinês aumentou de pouco mais de US$ 40 por tonelada em 2013 para US$ 60 por tonelada, em função do custo de trazer um minério proveniente de regiões mais distantes, de acordo com a CRU.

Conscientes da falta de oferta que se aproxima, algumas empresas buscam novas fontes. Neste mês, a China Hongqiao, uma grande produtora de alumínio altamente dependente da bauxita da Indonésia, anunciou interesse em comprar uma mina na África. A Guiné, na África Ocidental, tem grandes reservas.

A Hongqiao também se comprometeu a construir uma fundição de alumínio na Indonésia, embora algumas empresas estrangeiras também o tenham feito. Nic Brown, chefe de análise de commodities na Natixis, diz que as empresas chinesas de alumínio já investiram pesadamente para expandir a capacidade doméstica, o que resultou em excesso de capacidade e baixa rentabilidade. “Isso torna mais difícil justificar novas instalações na Indonésia”, disse.

Para a China, o desafio não é simplesmente substituir o minério da Indonésia, mas também encontrar novas fontes que acompanhem seus planos ambiciosos de expansão na área de alumínio. A consultoria Wood Mackenzie projeta que a demanda chinesa por bauxita vai aumentar 30% até 2018 e avalia que a proibição da Indonésia “poderia transformar o mercado global de bauxita no longo prazo”.

Muito vai depender da duração da proibição à exportação de bauxita. Marius Toime, do escritório de advocacia Berwin Leighton Paisner, em Cingapura, diz que é “altamente improvável” que o governo indonesiano reverta completamente a proibição. “É possível, contudo, algum relaxamento para certos minerais”, o que poderia incluir a bauxita, afirma.

Tendo em vista que desenvolver fundições e refinarias de alumínio é um processo caro e demorado – diferentemente do caso do níquel, cujos altos-fornos podem entrar em operação com relativa rapidez -, quase toda a indústria de bauxita da Indonésia teria de ficar paralisada por muitos anos, se a proibição for mantida.

A produtora russa de alumínio Russal, que em 2013 pressionou para que o governo da Indonésia aprovasse a nova lei, na esperança de que isso elevasse os preços internacionais, calcula que a proibição vai continuar em vigor pelo menos até o fim de 2015. Até lá, os estoques chineses teriam se esgotado e algumas refinarias precisariam reduzir a produção.

“De meados de 2015 até o fim de 2016, o mercado poderia deparar-se com grande falta de bauxita”, diz Brown, da Natixis. “Se isso acontecer, seria de se esperar que o preço do alumínio suba”.

Grandes produtores de alumínio preveem que a alta vai ser constante e não brusca, como no caso do níquel, o que daria tempo de manobra para um setor que está às voltas para cobrir seus custos.

Anthony Everiss, analista especializado em alumínio na CRU, diz que se a proibição for mantida, o preço do alumínio poderia chegar a US$ 2,3 mil por tonelada em 2015, uma alta de 30% em relação à cotação atual.