Empresas no exterior e no Brasil têm movimentos díspares após correção de preços futuros

Ontem o petróleo teve dois movimentos distintos. Os contratos para entrega em maio chegaram a superar os US$ 100 por barril pela primeira vez em 4 anos. Mas após o fechamento do mercado, os preços à vista recuaram sob efeito da fala do presidente americano Donald Trump ao canal CBS News. Segundo o republicano, a guerra “está praticamente concluída”. Perto das 18h, o preço futuro do Brent recuava 5,72%, a R$ 87,39.
Enquanto a infraestrutura de energia continuar a ser alvo de ataques no Oriente Médio e o estreito de Ormuz, no Golfo Pérsico, seguir fechado, os preços do petróleo e dos fretes marítimos vão se manter em alta, na visão de especialistas, o que aumenta as incertezas no mercado. Ontem, em dia de forte volatilidade, as ações das petroleiras chegaram a subir em bloco, mas fecharam o dia em direções diferentes após a correção dos preços futuros da commodity. No exterior, as ações da Chevron e da ExxonMobil caíram 0,3% e 0,5%, respectivamente. No Brasil, as ações preferenciais da avançaram 1,54% enquanto as ordinárias da Prio encerraram o dia com alta de 0,5%.
No começo da noite, Trump voltou a ameaçar o Irã ao dizer que os EUA podem atingir o país com mais força caso o governo iraniano interrompa o fluxo de petróleo. Essas idas e vindas aumentam a volatilidade e as incertezas no mercado.
“O céu é o limite para os preços do petróleo”, disse o chefe de estratégia de combustíveis e refino para América Latina da S&P, Felipe Perez, ponderando que é necessário ter cautela sobre as cotações da commodity, que têm variado de acordo com as notícias.
“Tudo é questão de tempo. Depende de até quando o Estreito de Ormuz fica fechado. A Ásia é a região que deve ser a primeira afetada pela disrupção das entregas, mas podemos ver consequências para o resto do mundo com o passar do tempo”, afirmou. O Estreito de Ormuz, principal via de passagem para cerca de 20% do comércio global de petróleo, está fechado em consequência dos ataques dos EUA e Israel ao Irã.
Antes da guerra, a estimativa da S&P Global para o primeiro trimestre era de uma produção total de 109 milhões de barris por dia de líquidos totais, que inclui petróleo e condensado de gás natural, e demanda de 106 milhões de barris por dia. Agora, os números estão em revisão. “Tudo ainda pode mudar”, disse Perez. “Se o petróleo continuar encurralado no Estreito de Ormuz, a conta não fecha.”
Imprevisibilidade pode trazer impactos maiores em inflação” — Tarik Jacob
Os EUA têm considerado flexibilizar as sanções ao petróleo russo para elevar a oferta e ajudar a conter a disparada dos preços, segundo a agência Reuters. Na quinta-feira (5), Trump permitiu que a Índia voltasse a comprar petróleo da Rússia por 30 dias.
A manutenção do fechamento do estreito de Ormuz, a paralisação da produção no Iraque, Kuwait e Emirados Árabes Unidos e as dificuldades de armazenamento contribuem para manter os preços do petróleo em alta, segundo o BTG Pactual. “A proposta do governo dos EUA para um seguro de frete provavelmente não prosperará dado a quantia de dinheiro necessária para a execução e o fato de que navios petroleiros ainda podem ser atingidos por armamentos modernos, como drones, mesmo que sejam escoltados. Com isso, esperamos que os preços do frete permaneçam elevados.”
Tarik Bergallo Kalil Jacob, sócio do Kincaid Mendes Vianna Advogados, avalia que as preocupações com frete ainda vão pesar sobre as cotações do petróleo: “Uma piora neste cenário de imprevisibilidade poderia trazer impactos ainda maiores em inflação global e custos logísticos e de energia”, disse Jacob. Para o especialista, a expectativa de aumento de prêmio de risco e do próprio valor do frete agrava as disrupções de suprimento de petróleo
global: “A medida dos Estados Unidos pode ajudar marginalmente, embora analistas avaliem que o valor em perdas já seja bastante superior a este montante e é possível que vejamos outras semelhantes. Mas ainda é cedo para entender o real impacto de tudo o que está acontecendo.”
Os ministros de finanças do G7 disseram ontem que o grupo está pronto para enfrentar a disparada dos preços do petróleo, mas não chegou a um acordo sobre a liberação de reservas estratégicas após reunião emergencial, conforme um comunicado conjunto obtido pelo Financial Times. Segundo o documento, os ministros de energia das sete maiores economias do mundo se reúnem nesta terça (10) para avaliar medidas para ampliar ofertas nos mercados de petróleo.
Fonte: Valor Econômico