O navio-sonda West Saturn, da Seadrill, chegará ao Brasil entre domingo (15/11) e segunda-feira (16/11). A unidade executará a campanha de perfuração da ExxonMobil, iniciando os trabalhos em Opal, prospecto localizado no bloco C-M-789, na Bacia de Campos, e não em Titã (Santos), conforme previsto inicialmente.
O início da campanha está programado, oficialmente, para janeiro de 2021, mas fontes envolvidas na operação revelam que intenção é estar com tudo pronto para o início dos trabalhos ainda em dezembro. O West Saturn iniciou sua viagem para o Brasil no dia 1 de novembro, quando deixou Trinidad & Tobago.
A sonda ficará parada no Rio de Janeiro, possivelmente em águas abrigáveis da Baía de Guanabara, onde serão realizados trabalhos de liberação pelas autoridades brasileiras e o processo de aceitação do equipamento pela ExxonMobil, além de pequenos serviços de manutenção. A projeção é de que esse trabalho se estenda por cerca de três semanas a um mês.
A decisão de iniciar a campanha pelo bloco C-M-789, arrematado em 2018, na 15ª rodada em parceria com a Petrobras e a QPI, foi fechada há pouco tempo. A perfuração no prospecto de Opal deverá se estender por cerca de três meses.
O ativo está localizado em águas profundas, na parte Sul da Bacia de Campos, próximo à divisa com a Bacia de Santos.
Titã no rastro
Depois de concluído o primeiro poço na área da 15ª rodada, o West Saturn será remanejado para a Bacia de Santos para iniciar campanha da ExxonMobil em Titã. Prevista para começar no segundo trimestre, a atividade marcará a primeira perfuração da petroleira norte-americana em área de partilha da produção.
A campanha em águas ultraprofundas da Bacia de Santos também deverá se estender por cerca de três meses. Titã foi adquirido pela ExxonMobil em 2018, em parceria com a QPI.
A campanha da ExxonMobil no Brasil mobiliza a atenção do mercado. Além da grande expectativa em relação a Titã, a depender dos resultados alcançados com os poços perfurados em seus blocos, a atividade poderá acelerar a realização das campanhas de outras grandes petroleiras, em blocos vizinhos.
Depois do poço seco de Saturno, perfurado pela Shell, e da atual crise do preço do barril do petróleo, especialistas e executivos reforçam que é fundamental a confirmação de uma nova descoberta no pré-sal e em outras bacias da costa brasileira.
Futuro
Além do programa firme em Titã e no C-M-789, o contrato entre a ExxonMobil e a Seadrill poderá contemplar ainda a perfuração de pelo menos mais três contingentes. O contrato do West Saturn exige que a unidade fique disponível no Brasil por três anos.
A aposta é de que pelo menos parte dos poços contingentes seja perfurada na Bacia de Sergipe-Alagoas. A petroleira norte-americana opera nove blocos na região, arrematados na 13ª, 14ª e 15ª rodadas e na oferta permanente.
Após a realização da campanha firme, a sonda ficará no país sem receber taxa diária, podendo ser ofertada em outras licitações. Caso a Seadrill consiga emplacar a unidade em outro projeto, a ExxonMobil terá que ser consultada, podendo exercer o direito de preferência, vinculado à retomada do pagamento da taxa diária, ainda que a unidade fique parada.
A opção por essa modelagem contratual é atribuída à perspectiva quase certa de novas campanhas sequenciais da petroleira no Brasil. A ExxonMobil opera 19 projetos nas bacias de Santos, Campos, Sergipe-Alagoas e Ceará, possuindo processos de licenciamento ambiental no Ibama para 15 ativos. Somente para as bacias de Santos e Campos, há projeção de perfuração de 17 poços exploratórios.
O afretamento do navio-sonda West Saturn foi fechado em abril, depois de um longo período de negociações. Entre os anos de 2018 e 2019, a unidade realizou campanha para a Equinor em Bacalhau, na Bacia de Santos, deixando o país no final dos trabalhos.
Fonte: Revista Brasil Energia