
Os contratos de engenharia, aquisição e construção (EPC) de FLNG terão investimentos da ordem de US$ 35 bilhões entre 2023 a 2027, prevê a Westwood Global Energy Group em análise divulgada nesta terça-feira (4). A consultoria avalia que os investimentos serão impulsionados pelos desafios da segurança energética e o aumento da demanda por energia e gás no curto e médio prazos.
Até 2027, a Westwood estima 18,3 milhões de toneladas por ano (mmpta) de capacidade adicional de gás em unidades de FLNG em operação, com investimentos de US$ 13 bilhões. Mais 36,5 mmpta são esperados após 2027, a partir das unidades de FLNG sancionados ao longo de 2023 e 2027, com a cifra de US$ 22 bilhões.
Durante esse período, a África será o continente responsável por 56% (10,2 mmpta) da capacidade adicional em fluxo. Já estão em construção e reativação quatro unidades FLNG e outras já possuem previsão de início da produção, como a Golar Gimi FLNG, da Golar LNG ao projeto Tortue da BP, na Mauritânia, programada para entrar em operação no quarto trimestre de 4T23, com exportação da primeira carga no 1T24.
Outra unidade é a Tango LNG, da ENI, comprada pelo Exmar Group em 2022, a qual possui previsão de início em dezembro de 2023 no bloco Marine XII, na costa da República do Congo. No mesmo bloco, há a construção de uma segunda unidade pela Wison Heavy Industry, que deverá ter instalação até 2025. Ainda durante esse período, uma segunda unidade no desenvolvimento da Área 4 da Eni, ao largo de Moçambique, e nas descobertas de gás Yakaar-Teranga e BirAllah da BP ao largo do Senegal e da Mauritânia, respectivamente, devem ser sancionadas.
Já para a área dos EUA, a Delfim Midstream possui expectativa de instalar quatro embarcações flutuantes, com produção de até 13,3 mmpta. No entanto, a empresa não atingiu a decisão final de investimento (FID, em inglês), recebendo quatro extensões (um ano cada) para começar a construção das instalações de medição, compressão e tubulação em terra. Outra empresa com projetos é a New Fortress Energy, que celebrou contrato com a Sembcorp Marine para engenharia e conversão de duas peças de perfuração cilíndricas Sevan (Sevan Driller e Sevan Brazil) em unidades de FLNG.
Para o Canadá, em três projetos há 17,5 mmpta de capacidade de GNL em fase de planejamento, mas a consultoria não prevê o início da produção comercial no país antes de 2028. Em outras regiões, a Chevron e a Transborde Energy consideram uma unidade para o campo de gás Levithan (Israel) e outra para projeto de GNL na costa da Austrália, respectivamente.
De um modo geral, a Westwood espera um aumento no crescimento da oferta de GNL, principalmente nos EUA e no Catar, o que pode levar a um excesso de oferta no mercado, além de impulsionar projetos com maior risco e custo. A consultoria entende que os desenvolvimentos de FLNG devem focar em sua competitividade, sua velocidade de comercialização e flexibilidade. Também, consideram a utilização das unidades para desenvolver as reservas de gás ao largo da Mauritânia, Senegal, Tanzânia e Moçambique favoráveis em relação às alternativas onshore, por apresentarem um risco de segurança menor.
A consultoria aponta que a influência para desenvolver energias renováveis e outras “novas” energias, como o hidrogênio, na Europa e na Ásia podem ser um risco negativo para a sanção de capacidade adicional de FLNG após 2030. Mesmo assim, enxergam o GNL com um “papel vital” a se desenrolar na Europa, a fim de compensar a redução do gás russo após a invasão na Ucrânia. Além disso, há oportunidade de crescimento do GNL a partir do uso de gás em vez de carvão e maior industrialização na Ásia.
Fonte: Revista Brasil Energia