Presidente da WISTA Brasil defende que sem pluralidade não há desenvolvimento tecnológico nem operacional no setor
O desenvolvimento da indústria marítima no Brasil passa pela necessidade de ampliação da pluralidade de gênero, raça, idade e credo. Essa é defesa da Wonmen’s Internacional Shiping & Trading Association (WISTA Brasil). Mas, para se aproximar dessa meta, uma das bandeiras da associação, segundo a presidente, Flavia Maia, é a promoção da visibilidade do setor, isto é, torná-lo conhecido e acessível por toda sociedade. A afirmação da presidente foi feita durante live realizada pela Portos e Navios sobre ‘A jornada para uma indústria marítima mais plural’, nesta quinta-feira (23).
Flavia avalia que a própria indústria marítima
deveria aproximar-se mais da população, para que esta se veja não apenas como
consumidora, mas também capaz de fazer parte desse universo. “Precisamos fazer
divulgação não só enquanto setor, mas para mostrar que mulheres, negros,
pessoas com deficiência, enfim, toda a pluralidade desse país, possa fazer
parte dele”, defendeu. Parte do projeto de responsabilidade social, a WISTA
Brasil atua em parceria com Organizações Não-Governamentais (ONGs) com o
objetivo de ajudar jovens que ainda estão buscando uma carreira, a conhecer a
indústria, o papel que ela tem para a economia e também sobre seu leque de
profissões.
Atualmente a WISTA representa uma organização internacional, presente em mais
de 50 países. Fundada em 1974, ela chegou ao Brasil há quatro anos e já possui
mais de 100 associadas em várias regiões do país. A associação nasce com marca
de ajudar mulheres da indústria marítima a alcançar posições de liderança.
Porém, ele enfatiza que organização não tem caráter exclusivista, ou seja, está
aberta para a presença e colaboração do público masculino que compreende a importância
da diversidade para o setor. “Nosso intuito é mostrar que nosso mercado é
predominantemente masculinizado e sinalizar que existem mulheres com
competência, qualidade e com condições de enfrentar posições de liderança nessa
indústria”, disse.
Um das principais atividades da WISTA é oferecer base de networking para as mulheres, capacitação e apoiá-las nos seus desejos de se tornarem-se líderes no mercado por meio de mentorias. Flavia afirmou ainda que a associação não está apenas capilarizada no país, como também dentro do próprio setor, atuando em todas as áreas que compõem a cadeia da indústria marítima. Dentro da perspectiva da pluralidade, a WISTA também vem mantendo diálogo com as diversas entidades representativas do setor “para entender como podemos progredir enquanto sociedade e indústria marítima”, frisou.
Em 2018, a WISTA foi convidada a fazer parte do Conselho Consultivo da Organização Marítima Internacional (IMO) para colaborar com um corpo técnico de mulheres. Além disso, ela informou que um dos projetos da IMO é mapear em todo o mundo as mulheres que estão atuando na indústria marítima atualmente. De acordo com ela, não existe ainda nenhum dado consistente sobre este tema que é fundamental para se possa analisar a realidade, e começar a pensar em possibilidades de mudanças. Ela destacou que um pontapé inicial pode ser criação de cotas para mulheres em determinados segmentos do setor, até que a presença feminina se torne naturalizada.
Durante o debate, Flavia demonstrou também que uma das preocupações da associação durante o período de pandemia é pela condição dos marítimos embarcados sem poder sair, nem realizar a troca da tripulação. Ela informação que o número total de tripulantes que não estão conseguindo repatriar chega a 250 mil, com exceção do mercado de cruzeiros. Segundo ela, dos 193 países membros da IMO apenas 29 ratificaram o documento da instituição sobre o entendimento de que os marítimos devem se enquadrar entre os profissionais essenciais durante a crise de saúde pública.
Fonte: Revista Portos e Navios