Indústrias asiáticas estudam transferir plantas para exportar a partir do complexo.
A ZPE (Zona de Processamento de Exportação) em Jaboatão dos Guararapes (PE) mudará a lógica da navegação internacional ao atrair empresas asiáticas interessadas em reduzir o frete marítimo para exportar aos EUA e à África. A afirmação é de Arménio Ferreira, superintendente da Moura Dubeux – empresa dona do terreno -, que tem recebido consultas de indústrias com intenção de transferir suas unidades de fabricação para embarcar a partir do Porto de Suape.
O Porto de Suape é um hub mundial. É posicionado estrategicamente para atender tanto a costa da África como o Hemisfério Norte. Num raio de 800 quilômetros, já abrange 90% do PIB do Nordeste. Para termos de comparação, Salvador, num raio de 800 quilômetros, contempla 56%, disse Ferreira entrevista ao Guia Marítimo.
As ZPEs são áreas autorizadas pelo governo para abrigar empresas voltadas à produção de bens para exportação, gozando de benefícios tributários no embarque. A de Jaboatão dos Guararapes, recentemente autorizada, é considerada uma das principais devido à proximidade com o complexo de Suape, que não tem restrição de profundidade e conta com uma ampla infraestrutura portuária.
O tempo de viagem da China até o Brasil e os Estados Unidos, por exemplo, leva mais de 30 dias. Estando no Nordeste brasileiro, a embarcação chega a Nova Iorque e a Angola em sete dias; ao Canal do Panamá, em seis; à Argentina, em três. A redução do frete marítimo pode chegar a até 75%, disse Ferreira.
Além da distância natural para acessar os principais mercados consumidores dos produtos asiáticos, os armadores que fazem linhas transoceânicas estão tendo de ampliar a rota para fugir da pirataria concentrada no Golfo de Áden, o que tem elevado ainda mais o custo do transporte.
Segundo Ferreira, existem empresas de bateria automotiva, de sucos, de bebidas, de plástico, de hardware, de chips e de petróleo e gás interessadas em se instalar na ZPE de Pernambuco, cujo terreno tem 230 mil metros quadrados e fica às margens da BR-101. O início da construção deve ocorrer ainda neste ano e as operações, em 2011.
Para o diretor executivo do Centronave (Centro Nacional de Navegação), Elias Gedeon, a mudança nas linhas de navegação é perfeitamente possível. Essa é a ideia da ZPE, racionalizar o transporte de e para a região. No caso de Suape, há de fato uma comunicação muito positiva porque o porto oferece excelentes condições de navegabilidade, canal de acesso e infraestrutura portuária.
Atualmente, existem 17 projetos de ZPEs aprovados no País. De acordo com o presidente da Abrazpe (Associação Brasileira da Zonas de Processamento de Exportação), Helson Braga, a expectativa é que até meados deste ano 12 ZPEs estejam funcionando. Para ele, porém, o Brasil pode mais.
Diria que temos tranquilamente potencial para pelos menos 20 ZPEs funcionando no Brasil a médio prazo. Só para termos de comparação, os EUA contam com 266 ZPEs; a Indonésia, com mais de 100; e a China, mais 3 mil. Quer dizer, o Brasil tem espaço para implantar. Claro, com muito cuidado para não colocar uma ao lado da outra.